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Espaço Cultural Porto Seguro

Espaço Cultural Porto Seguro
Vincos de concreto definem o projeto arquitetônico do Espaço Cultural Porto Seguro, desenvolvido pelo escritório São Paulo Arquitetura Foto/Imagem:Acervo São Paulo Arquitetura

Dobras instigantes

Construído no centro da cidade de São Paulo com projeto arquitetônico do estúdio São Paulo Arquitetura, o Espaço Cultural Porto Seguro possui formas assimétricas e paredes de concreto aparente que despertam a curiosidade das pessoas e as convidam a entrar.

Quando fomos pesquisar sobre projetos culturais, percebemos que há uma certa divisão dos espaços, que no Espaço Cultural Porto Seguro já está incumbida pela própria arquitetura Yuri Vital

Inicialmente, a proposta dos arquitetos Miguel Muralha e Yuri Vital – apresentada em um concurso no qual concorriam outros sete escritórios de arquitetura – compreendia um terreno de 45x20m. Entretanto, após passar pela aprovação da presidência da Porto Seguro, os profissionais se depararam com um canteiro de obras – tido como propriedade do prédio vizinho –, que na verdade pertencia à companhia de seguros e deveria ser incorporado ao espaço cultural.

“A metragem do terreno aumentou. Então pensamos em ocupar o subsolo de alguma forma, como uma espécie de pavilhão para abrigar as exposições, além de alojar uma praça, que daria respeito a um recuo para o prédio”, relata Vital, enfatizando que o aumento da área se transformou em solução, pois potencializou um espaço até então descartado, devido à área reduzida calculada no começo do projeto.

Com a inclusão das novas propostas, o uso das salas do Complexo Cultural Porto Seguro foi flexibilizado, à medida que cada ambiente, seja o segundo subsolo, térreo ou mezanino, promove um tipo de exposição. “Quando fomos pesquisar sobre projetos culturais, percebemos que há uma certa divisão dos espaços, que no Espaço Cultural Porto Seguro já está incumbida pela própria arquitetura”, conta.

Através da praça, um vazio é criado para ser o ponto de conexão entre os demais lugares que cercam o espaço cultural, como o restaurante, o outro prédio da Porto Seguro e uma loja ao fundo. De acordo com Vital, a praça proporciona um respiro que separa as edificações e, sobretudo, respeita a antiga construção do liceu, situado na via oposta. “Ao subirmos a rampa de acesso ao mezanino, a transparência do vidro revela toda a fachada da escola. É como se a trouxéssemos para dentro da galeria de arte”, se entusiasma Yuri Vital.

O conjunto é dividido em dois blocos – técnico e expositivo Foto: Fabio Hargesheimer

O edifício foi concebido como elemento integrante do Complexo Cultural Porto Seguro, que ainda disponibiliza teatro, restaurante e café. Com o novo empreendimento cultural, o público terá contato com diversas atividades, como exposições, ateliês, cursos, feiras, workshops, simpósios e outros eventos artísticos.

Programa e materiais

A grande necessidade do edifício cultural era separar toda a ala técnica – salas de aula, banheiros, curadoria, administração e secretaria – da parte destinada às exposições, para que as atividades de cada espaço ocorressem sem nenhuma interferência.

Como o bloco técnico provavelmente teria o mobiliário definido, os arquitetos desenvolveram um bloco ortogonal, onde cada item e zonas se encaixam perfeitamente. Do lado de fora, essa porção segue destacada pelo elemento vazado – uma textura de cobogó – e pela madeira, que faz a fixação da estrutura.

Ao subirmos a rampa de acesso ao mezanino, a transparência do vidro revela toda a fachada da escola. É como se a trouxéssemos para dentro da galeria de arte Yuri Vital

Nas áreas de exposição prevalece o concreto em suas formas inusitadamente geométricas, acompanhadas ora por elementos revestidos de madeira (porta de entrada), ora pelo vidro (rampa). “Nesses espaços expositivos há grandes vazios para as pessoas circularem e observarem os quadros”, descreve Vital.

A respeito dos materiais, o arquiteto afirma que o concreto e o vidro foram escolhidos pela resistência e pela capacidade de representar a imagem sólida da companhia de seguros. Em contrapartida, a exceção fica por conta da madeira utilizada na fachada da área técnica, um material mais frágil que serviu para diferenciar-se das demais frentes. “Uso diferente; material também”, explica.

Eficiência acústica

Por se tratar de um espaço de exposições, o Espaço Cultural Porto Seguro exigia atenção especial quanto à acústica dos ambientes, que deveria impedir a produção de ecos. Sem qualquer intervenção de revestimento específico, esse objetivo foi alcançado através da própria arquitetura, apenas com a disposição das paredes, que não são paralelas, e assim, melhor dissipam a onda mecânica da voz.

Controle térmico e de iluminação

Segundo o arquiteto Yuri Vital, era preciso trabalhar o concreto de maneira cuidadosa para não esquentar ou esfriar demais os ambientes, já que o material tem baixo coeficiente térmico para aquecer, mas, quando isso acontece, ele continua emanando calor.

Espaço Cultural Porto Seguro - Dobras instigantes
O segundo subsolo transformou-se em um extenso pavilhão de arte. Com aberturas translúcidas instaladas no teto, o espaço ganha iluminação natural Foto: Fabio Hargesheimer

De certa forma, isso interferiu na orientação das fachadas dos blocos técnico e expositivo, que receberam tratamento diferenciado. Na face voltada para a praça da Alameda Barão de Piracicaba, o elemento vazado garante a ventilação natural das salas técnicas, tal como a praça aberta por onde ocorre a troca de temperatura. Já à frente da Alameda Nothmann, a caixa de concreto assegura o controle térmico e acústico, tornando o ambiente apropriado às exposições.

Apesar desse espaço abrigar as obras de arte, um banho de luz surge a partir de duas aberturas localizadas no teto do segundo subsolo, clareando o ambiente. “Essa luminosidade não bate diretamente nas peças e sim no concreto, portanto, não afeta a exposição”, conclui Vital.

Agenda

O Espaço Cultural Porto Seguro recebe até o dia 03/04 a exposição Grandes Mestres, com réplicas das obras de Leonardo Da Vinci, Michelangelo e Rafael.

Fornecedores desta obra

Forros

Owa Sonex

Escritório

São Paulo Arquitetura1 projeto(s)

Local: SP,Brasil
Início do projeto: 2013
Conclusão da obra: 2016
Área construída: 3800

Tipo de obra:
Centros Culturais

Materiais predominantes:

Diferenciais técnicos:

Slideshow

Ficha Técnica

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