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GNRation

GNRation
Reformulado para ser a sede central das indústrias criativas da cidade de Braga, em Portugal, edifício de caráter bruto torna-se contemporâneo e integra-se ao entorno com elementos inovadores Foto/Imagem:Hugo Carvalho Araújo

Intervenção ilustre à criatividade

A fim de transformar um antigo edifício que funcionava como quartel militar na sede central das indústrias criativas de Braga, em Portugal – eleita a Capital Europeia da Juventude de 2012 –, o escritório de arquitetura Carvalho Araújo propôs uma releitura dos espaços. Além disso, como a obra encontra-se no centro da cidade, o projeto arquitetônico veio acompanhado da ambiciosa proposta de regenerar toda aquela zona urbana.

“A premissa era desenvolver um espaço para jovens criativos. O nome do prédio, GNRation, veio justamente do fato de ele já ter abrigado a Guarda Nacional Republicana”, explica o arquiteto responsável pelo projeto, José Manuel Carvalho Araújo. “Queríamos que a edificação contagiasse a todos e criasse outras dinâmicas no entorno do próprio edifício”, complementa.

Introduzimos ao passeio dos pátios um design de chão inspirado na construção das estrelas, que remetem aos jovens criativos de maneira poética José Manuel Carvalho Araújo

Soluções inovadoras e relação com o entorno

Visando uma maior interação entre a obra e o entorno, a primeira reformulação foi na entrada do prédio. “O edifício tinha uma certa dimensão, mas sua imagem não se impunha com sentimento, ou seja, as pessoas tinham sempre a mesma visão dele e não o identificavam como o GNRation”, destaca Araújo. O cunhal do edifício foi redesenhado como novo elemento identificador e provocativo, de forma a valorizar as duas frentes da edificação e mostrar – com um painel visual instalado no canto da fachada, ao centro do corte – que se trata do principal acesso da sede. Ao mesmo tempo, algumas janelas da fachada lateral, no primeiro pavimento, foram rasgadas, fazendo com que todas as fachadas se tornassem nobres.

Junto ao aumento do passeio exterior, que faz com que o edifício ‘invada’ a rua, uma infraestrutura com ligas metálicas foi utilizada para ‘se agarrar’ às fachadas de maneira inovadora. A ideia era transformar o passeio lateral em uma espécie de praça e trazer uma leitura do espaço muito mais fácil e equilibrada. "O edifício era composto por um volume com três pátios, então aproveitamos essa área para fazer a divisão espacial junto ao tratamento urbano. Dessa forma, introduzimos ao passeio dos pátios um design de chão inspirado na construção das estrelas, que remetem aos jovens criativos de maneira poética”, ressalta o arquiteto. Com vários níveis de uso, alguns pátios do GNRation são mais privados, enquanto outros são intermediários, semiprivados ou completamente públicos. Segundo Araújo, esses níveis são considerados as linhas orientativas do desenvolvimento do projeto.

GNRation - Intervenção ilustre à criatividade
Uma estrutura metálica repleta de cubos com vasos de plantas parece 'se agarrar' às fachadas de maneira inovadora Foto: Hugo Carvalho Araújo

A estrutura metálica que envolve o pátio de vários níveis é repleta de vasos de plantas, que permitem que o edifício troque de visual com o passar do tempo, pois as mudas crescem e criam paredes verdes. Entre eles, pontualmente aparecem chapas translúcidas e vazios envidraçados que mostram os espaços internos. A abertura para a rua alcançada com essa intervenção – por meio da demolição do muro existente – foi fundamental para que o edifício se relacione física e visualmente com o entorno da cidade.

Programa de múltiplas personalidades

A ideia fundamental do projeto arquitetônico do GNRation foi a criação de espaços individuais, espaços para trabalho em conjunto e zonas que permitissem um intercâmbio de ideias para o trabalho dos jovens criativos, tirando partido da luminosidade que vem dos pátios.

O que mais me agrada é que ele pode ser visto como referência para possíveis outras intervenções em edifícios históricos José Manuel Carvalho Araújo

“Concebemos os programas de maneira comum, mas sempre pensando em não transformar a obra em um edifício comercial. Para isso, a composição das fachadas tem algumas janelas pequenas e outras rasgadas até um nível baixo mas sem ir até o chão, tudo isso para ‘obrigar’ as pessoas a entrarem no prédio pelas entradas corretas se quiserem acessar as áreas internas”, explica.

Foram construídos dois elementos novos no prédio do GNRation, uma galeria superior e uma galeria no térreo. Ambas simplificam a estrutura espacial, facilitando o acesso ao nível dos percursos que direcionam às grandes áreas do edifício.

De acordo com o arquiteto, como o custo da obra deveria ser baixo, estruturas já existentes foram aproveitadas ao máximo. “Deixamos os espaços com um aspecto de inacabado, para que as pessoas possam usá-los de uma forma muito mais fácil e informal. Os espaços são clean justamente para que os jovens se apropriem e intervenham de maneira única, criando sua própria história na obra”, destaca.

Caráter bruto

Junto às estruturas metálicas que predominam no projeto – tanto na rede metálica que divide o pátio principal da rua, quanto nas infraestruturas elétricas e de água aparentes –, o concreto está presente em tudo. Todas as lajes de pavimento ficaram em concreto e as paredes foram reaproveitadas, sem receber pintura.

“O projeto do GNRation envolveu muita participação. Nós tivemos a liberdade para propor esse estilo mais bruto e desenvolver as soluções escolhidas. O que mais me agrada é que ele pode ser visto como referência para possíveis outras intervenções em edifícios históricos”, conclui.

 

Veja também:

Retrofit do Red Bull Station, por Triptyque Arquitetura
Retrofit do Edifício Martinelli, por Paulo Lisboa


Escritório

Carvalho Araújo7 projeto(s)

Local: BR, Portugal
Início do projeto: 2011
Conclusão da obra: 2012

Tipo de obra:
Centros Culturais

Materiais predominantes:

Diferenciais técnicos:

Ambientes e Aplicações:

Slideshow Desenhos e plantas

Ficha Técnica

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