
Texto: Naíza Ximenes
Após o sucesso do projeto da Colormix Store, que ganhou um dos prêmios Architizer de arquitetura, o escritório Basiches Arquitetos Associados foi convidado para idealizar o segundo espaço da marca, também em São Paulo: o Ateliê Colormix.
Em entrevista à Galeria da Arquitetura, o sócio e arquiteto do escritório, José Ricardo Basiches, conta que a proposta foi uma evolução criativa do projeto original — e uma iniciativa carregada de desafios e provocações.
“Nós já viemos com esse histórico, como se fosse uma extensão do primeiro projeto, que foi superpremiado e veiculado. Era uma responsabilidade muito grande, no entendimento de como desenvolver esse espaço... se era uma situação de arquitetura parecida, se usaríamos os mesmos elementos ou não. Foi, enfim, um projeto muito cuidadoso”, conta o arquiteto.
Com um novo conceito e um terreno peculiar — onde existiam casas antigas, pequenas salas comerciais e uma fachada degradada —, a equipe apostou na reforma de toda a estrutura, tendo a adequação das necessidades como prioridade.
A grande necessidade era trabalhar com produtos menores. Além de uma loja de revestimentos, a proposta era fazer uma loja para objetos — e lidarmos com qualquer tipo de objetos. De vasos a bowls, e até obras de arte. Era uma coisa um pouco mais específica, em escala menorJosé Ricardo Basiches, sócio e arquiteto de Basiches Arquitetos Associados
As principais ações incluíam a abertura de espaços internos, a reorganização do layout e a modernização da fachada. Pensando nisso, elementos como o telhado foram substituídos por uma platibanda, dando ao prédio um ar contemporâneo e funcional.
A fachada, por sua vez, foi estendida para criar a sensação de amplitude, utilizando um único revestimento branco com rasgos quadrados e iluminados por molduras de aço — uma estratégia que proporciona um jogo de luz e sombra, destacando-se tanto de dia quanto à noite.
O programa de necessidades exigia um espaço adaptável para a exposição de produtos menores. O design, por sua vez, foi pensado para valorizar tanto o interior quanto o exterior da loja, integrando elementos (como estantes de vergalhão que se estendem do lado de dentro para o lado de fora), criando uma continuidade visual interessante e proporcionando uma ambientação acolhedora, com estética moderna e funcional.
Uma vez no ateliê, há um túnel de acesso que liga a entrada ao café, com paredes revestidas por um único material: as pastilhas amarelas. Além disso, o espaço ao ar livre no interior foi valorizado com a criação de um pátio, que serve como área para eventos e exposição ao ar livre.
O pátio tem conexão direta com a área do café e foi equipado com vergalhões brancos que levam a obra em exposição para o espaço externo (Foto: Ricardo Bassetti)“A ideia foi aproveitar o máximo esse espaço, descascar as paredes”, conta Basiches. “Nós quisemos trabalhar com essas estantes de vergalhão, para trazer isso de dentro para fora. O intuito era criar estantes para expor materiais e objetos que pudessem ficar no tempo. É bem legal, considerando a área externa que é muito interessante.”
Já a área interna ganhou floreiras marrons com formato sinuoso, que contrasta com as linhas retas da arquitetura. No centro, o paisagismo e os itens em exposição se mesclam.
Nós também queríamos trazer os elementos naturais para o interior do ateliê. Então, desde a entrada, a gente fez essa questão orgânica também, do formato... para trazer essa mesma linguagem, com cor de terra e os vergalhões”, explica a arquiteta Bianca Verotti.
O Ateliê Colormix tem dois andares, com layout pensado para proporcionar uma transição suave entre o térreo e o andar superior. No piso inferior, o uso de um piso rústico contrasta com a paginação diferenciada de porcelanato no andar superior, onde são expostos produtos maiores, como cubas. A iluminação, desenvolvida em parceria com a Mingrone, foi projetada para criar cenas visuais intrigantes.
No andar superior, onde a loja possui forro, foi criada uma combinação de luzes e espelhos, resultando em efeitos reflexivos que criam dinamismo ao ambiente. No pátio externo, o projeto de iluminação conta com rasgos de luz ao longo das prateleiras, proporcionando uma atmosfera acolhedora.
Um dos destaques do projeto é o trabalho gráfico nas paredes e pisos, desenvolvido pelo artista plástico e proprietário do ateliê, Arthur. A escada que conecta os dois andares foi transformada em um túnel artístico, criando uma experiência imersiva que faz a transição entre os ambientes. No andar de cima, mesas de atendimento e áreas mais livres foram desenhadas de forma a permitir flexibilidade na disposição dos produtos, adequando-se às necessidades mutáveis da loja.
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