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Sede da Localiza

Sede da Localiza
As equipes dos arquitetos Gisele Borges e Alberto Botti conceberam a Sede da Localiza como um prisma de vidro entremeado por jardins e agraciado por uma ampla praça de convivência Foto/Imagem:Daniel Mansur

Verde para todos os lados

A história da nova Sede da Localiza começou lá atrás. Em 2007, o escritório Gisele Borges Arquitetura foi convidado pelos sócios da locadora de veículos a desenvolver, incialmente, um programa de necessidades. Após um concurso realizado pela empresa, os arquitetos paulistas do Botti Rubin Arquitetos Associados também passaram a ser responsáveis pelo projeto arquitetônico. Dessa forma, tomaram a frente do Projeto Executivo, enquanto os colegas mineiros conduziram o gerenciamento dos projetos. O resultado dessa parceria refletiu num prisma de vidro entremeado por jardins e agraciado por uma ampla praça de convivência.

A Localiza estava espalhada por Belo Horizonte em sete edifícios diferentes. “Apesar de os prédios ficarem num raio de 100 metros, os colaboradores perdiam muito tempo caminhando pelo quarteirão até chegar à matriz, por exemplo”, conta Borges. Para proporcionar maior sinergia entre os funcionários, os proprietários decidiram mudar e concentrar todas atividades num único lugar: um terreno triangular de quase 30 mil m², no bairro Lagoinha.

O verde não foi pensado somente para atender a um parâmetro da legislação, mas sempre o consideramos como um dos pilares do empreendimento Gisele Borges

Naquela época, a Lei de Uso e Ocupação do Solo de BH seria alterada e o lote escolhido pela Localiza perderia coeficiente, então era preciso correr contra o tempo. “Isso implicava diretamente no desejo deles de abrir um concurso para a execução do projeto arquitetônico. Para garantir as propriedades do terreno, acordamos em realizar o Projeto Legal e, após a aprovação, retomaríamos a ideia concurso”, explica a arquiteta.

A partir daí a Localiza e a equipe de Gisele Borges começaram a visitar alguns escritórios de arquitetura, até selecionarem três para a disputa. Os vencedores foram os paulistas do Botti Rubin Arquitetos Associados, que possuem vasta experiência na área corporativa.

Ainda antes do concurso, definiu-se o que seria a principal demanda da Localiza: construir não apenas o edifício-sede (com amplo espaço para garagem), como também um pequeno hotel e duas lojas destinadas à venda e ao aluguel de veículos. Assim, o bairro Lagoinha (tipicamente unifamiliar e horizontalizado) ganharia um verdadeiro complexo empresarial.

No entanto, com o advento da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, muitos estabelecimentos hoteleiros foram inaugurados na capital mineira, o que inviabilizou a apropriação da sede da Localiza para outros usos. “Ao retiramos isso do escopo inicial, vimos a necessidade de revisar esse trabalho e refazer o estudo de implantação junto com o time do Alberto Botti”, comenta Borges.

Manteve-se, assim, a alma do projeto: a construção de um edifício de 26 andares que teria acesso em nível através da Avenida Bernardo Vasconcelos; sem escadas, grades ou muros. Dois enormes espelhos d’água, posicionados às laterais do edifício, oferecem um “oxigênio” nessa transição entre espaço público e privado. Para a arquiteta, “eles refletem a real gentileza urbana do empreendimento”.

Jardins e praça

Duas características do terreno criaram dificuldades aos arquitetos. A primeira dizia respeito aos desníveis da gleba que ultrapassavam 30 metros; a segunda era em relação a uma exigência da prefeitura em preservar, pelo menos, 20% da área como uma área permeável.

Os autores foram mais longe. De acordo com Gisele Borges, “o verde não foi pensado somente para atender a um parâmetro da legislação, mas sempre o consideramos como um dos pilares do empreendimento”. Traduzindo isso em números, 60% da área livre do terreno da Localiza configurou-se como um grande parque, ou seja, 40% a mais em relação ao percentual determinado pela lei. São 18 mil m² de uma praça envolvida por uma vegetação diversificada feita de árvores do cerrado, além de outras espécies nativas e exóticas.

Os arquitetos dedicaram 60% da área livre do terreno da Localiza como um grande parque, ou seja, 40% a mais em relação ao percentual determinado pela lei. A cobertura do edifício-garagem serviu como “praça" Foto: Daniel Mansur

Um edifício-garagem teve papel primordial nisso. Segundo o arquiteto Alberto Botti, esse prédio complementar surgiu da impossibilidade de inserir o estacionamento no subsolo da edificação principal. Restava, então, colocá-lo na parte posterior da sede, onde existia um montante de terra íngreme.

Disposto em cinco andares, o prédio do estacionamento ofereceu sua cobertura ao edifício-sede, conformando um terraço de convivência a céu aberto. Essa área, que possui 3,5 mil m², promove um espaço de respiro e reuniões informais, favorável à integração e conexão entre os colaboradores. “É um espaço completamente aberto, com pequenas coberturas que dão sombra”, afirma Borges, referindo-se, sobretudo, ao pergolado da lanchonete.

Para Alberto Botti, não bastava apenas explorar a área verde do terreno; era necessário levá-la para dentro do prédio. Ao recuar três andares do edifício-sede, o arquiteto criou anéis simbólicos que funcionam como terraços-jardins rodeados pela vegetação. “As pessoas que estão por ali participam diretamente desse cenário vivo”, ressalta.

Luz do sol no escritório

Os sócios da Localiza se reuniram com seus colaboradores para saber o que eles desejavam nesta nova sede. Esmalteria, academia de ginástica, heliponto... Mas outro pedido foi quase unânime: iluminação natural. Nos antigos escritórios, “não sabíamos se era dia ou noite; se fazia chuva ou sol”, queixaram-se.

As pessoas que estão por ali participam diretamente desse cenário vivo Alberto Botti

Para banhar o edifício principal com muita luz natural, os arquitetos optaram por revestir as fachadas de um vidro especial. Mais que conforto termoacústico, começaram a discutir a questão estética baseada na cor desse material. “Optamos pelo verde, pois ele está presente nas cores e no DNA da Localiza. Com ele, conseguimos certa transparência, reflexão e espelhamento, mas nada exagerado”, aponta Borges.

À medida que o sol chega às amplas janelas, persianas “inteligentes” são acionadas automaticamente através de um sistema que segue interligado aos aparelhos de ar-condicionado e à iluminação artificial. “Essa solução otimiza o consumo energético da edificação”, enfatiza a arquiteta.

Interior natural

O projeto de interiores e os acabamentos finos da nova sede da Localiza foram concebidos pelo escritório Morence Arquitetura + Design. “Nosso trabalho foi feito para andar junto com o desenvolvimento da nova marca, fortalecendo a imagem corporativa da empresa a partir de conceitos como liberdade, conforto e tecnologia”, salienta o arquiteto João Carlos Moreira Filho.

O pavimento-tipo apresenta um layout open space, reforçando os ideais flexíveis da locadora de veículos. O destaque dos ambientes internos fica por conta, novamente, da cor verde que realça o mobiliário e, sobretudo, o carpete.

“Escolhemos esse matiz não apenas para fazer uma referência à Localiza, mas também porque queríamos levar um pouco dos elementos da natureza para dentro do prédio. Até por isso, o contorno de algumas cadeiras assemelha-se às folhas de árvores e o tracejado do piso lembra um gramado”, descreve Moreira Filho.

De acordo com o arquiteto, além do carpete, outros elementos inusitados contribuem ainda para a acústica do projeto, como os gaveteiros com pequenos orifícios que absorvem o som.


Escritório

Botti Rubin13 projeto(s)Gisele Borges Arquitetura2 projeto(s)Morence Arquitetura + Design5 projeto(s)

Local: MG, Brasil
Início do projeto: 2013
Conclusão da obra: 2017
Área do terreno: 29235
Área construída: 56240

Tipologia:
Corporativo

Materiais predominantes:

Diferenciais técnicos:

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Ficha Técnica

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