Galeria da Arquitetura

Um jeito diferente de ver o mundo da arquitetura.

Dicas para projetar bibliotecas e salas de leitura em projetos comerciais

(Escola Vera Cruz, por Base Urbana e Kipnis Arquitetos Associados – Foto: Pedro Vannucchi)

Redação Galeria da Arquitetura

Bibliotecas e salas de leitura podem ser criadas como áreas de lazer, estudo ou simples passatempo. Seja qual for o caso, quando se trata de um projeto comercial é preciso atentar-se a algumas necessidades fundamentais, como praticidade e conforto dos usuários, além de segurança para abrigar os livros. Disposição do layout, mobiliário e iluminação são as principais peças dessa composição.

Diferentemente do projeto arquitetônico específico para uma biblioteca comum ou livraria, a concepção desse tipo de espaço dentro de um estabelecimento comercial (como um escritório de advocacia, por exemplo) dispensa, por exemplo, soluções mais sofisticadas de tecnologia computacional e comunicação visual que facilitam a procura dos livros. Além disso, também é descartada a instalação de modernos sistemas de detecção de incêndio e climatização. Em bibliotecas como a Brasiliana, que abriga mais de 40 mil volumes, e a Mário de Andrade, com quase 135 mil livros, os investimentos nessas medidas são maximizados. Quanto maior o acervo, maior a preocupação com a conservação das obras, que são muitas vezes sensíveis à mudança de temperatura, ao aparecimento de fungos e à umidade.

Usos

De acordo com a arquiteta Marina Grinover, do escritório Base Urbana, o importante é definir para qual fim se destina a biblioteca. Servirá apenas para o armazenamento de livros ou será um local de convivência, estudo e aprendizado? Atualmente, esse ambiente tem atendido a novos programas que vão de salas de estudo e espaços de leitura livre, até áreas de exposição e cafés. “Isso pode criar uma política de ampliação do valor da leitura em nossa sociedade”, enfatiza. 

Estantes

O tamanho da biblioteca dentro de um projeto comercial varia de acordo com a quantidade do acervo. Segundo Leonardo Shieh, sócio do escritório Shieh Arquitetos Associados, existe uma maneira de calcular se as estantes terão prateleiras suficientes. "Basta verificar a largura da lombada do livro e estimar uma média em centímetros. Por exemplo: se há 2 mil livros com tombo médio de 3 cm, é necessário um mínimo de 6 mil cm de prateleiras, equivalente a 60 metros", explica.

Para ajudar na ilustração, Shieh conta que o mercado oferece estantes prontas em aço, com 1 metro de largura e 6 prateleiras na altura. Cada uma delas poderia atender a 600 cm por face – ou seja, 100 livros. “Se o cliente optar por face simples, é preciso dispor de 10 dessas estantes. Já em face dupla, evidentemente, elas atenderiam o acervo em 5 unidades”.


(Escritório BPGM Advogados, por FGMF Arquitetos — Crédito : Fran Parente)

A altura da prateleira também deve ser observada. Se o acervo possuir muitos exemplares de formato mais alto que o normal (cerca de 28 cm), vale reequilibrar a conta anterior. Além disso, o arquiteto alerta que é interessante deixar um percentual sobrando para um eventual crescimento dos livros. No caso de uma sala de leitura com poucas obras, as estantes baixas permitem uma integração visual mais franca.

Outros móveis

A depender do uso da biblioteca, é possível utilizar outros mobiliários. Poltronas, pufes, mesas de apoio e estudo, e sofás transformam o ambiente para uma leitura mais descontraída e aconchegante.

Layout

Sem muitos segredos, a circulação por entre as estantes deve ser clara para facilitar a locomoção dos usuários e a busca pelos livros. A não ser que a disposição dos espaços seja idealizada propositalmente de maneira diferenciada para instigar o usuário durante o percurso.

Exemplo disso é a biblioteca do Escritório BPGM Advogados, concebida pelo FGMF Arquitetos. Foram colocadas janelas que se intercalam nas paredes de drywall, ora presentes na parte superior, ora na inferior, ou simplesmente inexistentes. Para quem passa pelos corredores, o interior da biblioteca é revelado aos poucos.

(Escritório BPGM Advogados, por FGMF Arquitetos — Crédito: Fran Parente)

Em projetos que utilizam a biblioteca como um espaço de convívio, as áreas de estudo e leitura devem ser organizadas, enquanto os móveis devem ficar a uma certa distância das estantes. Assim, quem está sentado e estudando não atrapalha aquele que procura um livro nas estantes e vice-versa.

Iluminação

Shieh explica que é possível conciliar uma iluminação indireta mais difusa e a iluminação direta, focada nos planos de trabalho com pendentes em cima da mesa ou pequenos abajures de controle individual. “No caso de acervos armazenados em móveis especiais, pode ser interessante valorizar os livros com fita de LED, por exemplo”, acrescenta.

A iluminação também pode ser natural, assim como ocorre na biblioteca do Escritório BPGM Advogados. A luz passa pelas janelas de vidro das salas radiais e, depois, pelas bandeiras de vidro nas divisórias. Em locais onde a iluminação do sol é intensa, vale instalar filtros de luminosidade para preservar os livros.

Loading
novidades fechar
Receba o boletim da
Galeria da Arquitetura
veja um exemplo